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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Não gosto de pseudos.
 Nem pseudo-poeta,
 nem pseudo-inteligente,
 nem pseudo-amigo,
 nem pseudo-amor...

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O bilhete precluso



É melhor ir devagar. Ela disse.


Em seu coração o desejo de ser desobedecida: não sejas devagar, seja imediato. Entra sem pedir licença, queima tudo que ainda dói com a simples luz de tua entrada, não faz perguntas, não tenha cautela. Abre teu espaço e ocupa o que quiser. Ocupa-me. Não me dá opções, não me deixe ser prudente. Não me deixe ponderar, nem discursar sobre o que aprendi. Não aprendi ainda, ensina-me. Rápido, não me permita pesar. Há uma urgência de você.

Mas o coração dele não falava. 

segunda-feira, 6 de junho de 2011


Espontaneidade nunca é fácil. E nunca é pequena. Devo dizer que sempre optei por discrição, e essa escolha levou-me a uma profundidade solitária, distante. Acho que no final das contas, me escondi de mim o quanto pude. Tinha uma aparente liberdade, mas estava presa dentro de mim. Eu não fui livre na minha vida inteira. E talvez ainda nem seja completamente. O fato é que por dentro eu sempre me persegui. Impliquei com minhas escolhas, meus caminhos. Cismei comigo. E resolvi combater. Mostrar que eu era o que eu queria e pronto. Deu errado. Eu fui mais forte do que minha vontade, e embora ainda esteja presa, ensinei pra mim mesma que eu não mando em mim. Assim mesmo, contradizendo tudo. Inclusive a mim! Repentinamente, sabendo o risco, mas não a dimensão, mostrei algumas coisas, partes de mim. Para pessoas, conhecidas ou não, queridas ou não. A escolha é: ou se é espontânea, aceitando que não será possível controlar o que vão achar disso; ou terá que esconder de todos. Não há como escolher quando, como ou com quem dá para ser autêntico. Ou a autenticidade é natural, ou não existe. Isso tem mais a ver com o que eu faço por mim, do que a opinião alheia. É um respeito próprio legítimo. É aceitar quem se é, e não lutar contra isso. Longe de sugerir um contentamento inútil. Não é estagnar, parar de crescer ou achar que não é possível ou necessário mudar. Mudamos a visão e os comportamentos todos os dias, sem que nossa essência seja corrompida. Sempre é possível mudar; mas até para isso é importante se aceitar, pisar seguro, respeitar-se mais do que qualquer outro faria por você. Mostrar o que se é realmente não é fácil. Aceitar, no entanto, é infinitamente mais raro, e difícil. Enquanto eu me preocupar em mostrar a outros, quem eu sou, e o que desejo; estarei perdendo tempo de sê-lo verdadeiramente. No dicionário, natural é sinônimo de espontâneo. Na prática também. Uma solidão não planejada me deixou livre de amarras e pedidos de desculpas. Alguma coisa do tipo: essa sou eu, simples e completamente. Eu NÃO lamento por sua interpretação ou o que vai fazer a respeito. E não sinto muito por não lamentar por isso! Além disso, não vou fazer nada para você acreditar. Eu sou isso, não tangível, definida e, de súbito, livre.

terça-feira, 29 de março de 2011

 Um dia, sentada em sua casa, ela chorou a grande tristeza que carregava: a traição, as mentiras e a falsidade. Pensou que adultos podem mesmo, e quase sempre o querem, ser detestáveis. Já com os olhos vermelhos, ela quase sentia dó de si. Achou bonita a frase ‘dó de si’... Fechou os olhos, imaginou as notas, cantarolou a música distante e os ouvidos aguçaram-se para buscar uma canção qualquer. Ela levantou-se e começou a dançar devagarzinho. Um passo, outro, muitos outros... Sozinha no quarto mas não na vida ela dançou e dançou e dançou. Entendeu muitas coisas enquanto dançava sozinha. Percebeu que lágrimas podiam ser passos de dança e dor podia virar música. Então ela sorriu e parou de chorar. A vida era mesmo muito difícil, pensou, mas ela podia dançar!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Ao desconhecido


Nem sei se ainda estás por aqui. Mas teu pedido me pareceu tão pertinente, que intrigou: “Por favor, me diga quem é você! Me escreva e me conte o que tem vivido e amado!”. Não deixaste teu endereço, teu rastro ou qualquer outra forma de chegar a ti. Pois bem, te falo o possível, e daí começo a me apresentar: você, nem ninguém, jamais saberá mais que bem pouco de mim. Sou tão exclusiva, desconhecido. Queres notícias de minha vida? Mas o que desejas saber de uma desconhecida, por onde começar? O simples desta vida é que me atrai, a inteligência para mim é afrodisíaco e o carinho é o que há de mais lindo. Ando devagar e falo baixo. Tenho cabelos e sorrisos longos. Vivo em constante outono, e tenho passarinhos até dentro do meu quarto.

Desconhecido, eu habito no silêncio. Vivo poesia. E gosto muito de prosear. Se quiseres me reconhecer ao passares por mim esteja atento aos olhos, somente a eles.
Os meus vão te pedir muito e deixar após passar, um aroma de lua, alguma coisa assim. No mais, eu tenho vivido minha descoberta. Claro e escuro, palavras e silêncios, entrega e cautela. Não que eu seja contraditória, mas eu sou imensa, descobri por esses dias. Tenho vivido o que a vida me dá de bom ou ruim, tenho vivido tudo que plantei e tenho plantado muito, desconhecido. Quanto a amar, é outra história. Desconhecido, eu amo demais. Fico exausta de amar. E na maior parte das vezes eu amo sozinha. E que importa, não é mesmo? Já me disseram que não preciso ser correspondida por ser ‘toda amor’.
Foi bondade de quem disse, mas consolou meu coração. Só gosto de coisas raras. E amar mesmo, só tenho amado pessoas. Não consigo amar pipoca ou livros.
Deles eu gosto muito, mas amar mesmo só pessoas. Dizem que eu sinto demais, e é verdade. Mas isso você só entenderia se pudesse sentir.
 Outra coisa, eu gosto de flor. E eu acho que amar exige maestria mesmo.
 Isso é o que tenho vivido e amado, desconhecido.


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Celebração a mistura de aromas


"E sei que estou apenas no início de um largo caminho de amor…
(Caio Fernando Abreu)

NósAsMarias

Maria sempre ama muito. Intensamente, demasiadamente, excessivamente. Quer presença, quer toque, quer sentir. Maria precisa sentir. Maria sempre leva com o olhar sem pressa a ligeireza das idas e vindas. Quer viver por completo o tempo, o que há e quem há. Maria sabe que ninguém nesta vida estará sempre. Maria sabe que pode amar completamente o tempo que lhe for permitido para depois só levar saudade/amor/certeza, nada de culpa. Maria não tem culpa, porque Maria sempre amou em alto grau. Maria nunca amou mais ou menos. Maria tem a consciência tranqüila. E isso a deixa livre para amar em paz as pessoas que cruzam seu mundo, que gira descontroladamente. Maria cai em algumas voltas, chora o susto; mas depois ri, levanta e continua a viagem. Maria não tem destino, e nem deseja. Maria segue o que acredita: ‘não procura por distantes e frescas fontes, apenas derrama o seu perfume onde estiver’. Maria simplesmente caminha e toca em outros mundos. Sabe que em algum momento, em outra volta, esses mundos se separarão. Mas Maria leva um pouco do aroma deles, e eles levam o de Maria. E de longe Maria sentirá sua fragrância e saberá que partes de si estarão espalhadas por aí. Há certo prazer nisso. Maria gosta da mistura de perfumes que a compõem, parte de todos com quem já de dividiu. Esse aroma é a bússola dos passos Maria. Ela pode senti-lo esteja a que distância for. E Maria precisa sentir
.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

"Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi
finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati.
seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi
spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida
aetas: carpe diem quam minimum credula postero."
(Horácio-Poeta Romano)
 
Quero novos ares, novos mares e novos lares.
Outros abraços, novos braços.
Outras vontades, novos cheiros, novas bondades, outros beijos.
Quero novos olhares, outros sonhos.
Novos andares, outros ganhos.
Quero algum sorriso, algum abrigo, algum amigo.
Alguma rima, qualquer verso, nova sina.
Quero um tempo, outros sabores, novas texturas, quaisquer amores.
Quero novos passos, nova música, outros luares, novas buscas.
Quero tudo a mim de novo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

"Eu quase nada sei, mas desconfio de muita coisa" - Guimarães Rosa






Sinto quase vontade de dizer tudo. Sempre escrevi para me manter viva, para não deixar-me acumular, acumular e terminar por incontáveis letrinhas no chão que explodiram por não mais caberem em si. Há muito que não quero, então posso esquecer. E há sempre o que precisa ser revelado. Mas em seu tempo próprio, em ritmo certo. Eu mesma determino este ritmo e, por ser parecido comigo, é devagar e, mais que isso, sem pressa. Devagar por escolha, por preferência. No entanto, escolho algumas palavras para comunicar-me com quem sente comigo, com alguém que na busca por alguma coisa passou por aqui e, tenha encontrado ou não, permitiu-se desvairar sobre o amor, este tema favorito. E concordou ou discordou de minhas palavras, mas me perdoou em ambos os casos. Mas se pudesse contar-te um segredo eu diria bem baixinho que você não está preparado, ainda. É preciso mais tempo, mais cumplicidade, mais paz. Um dia poderei contar que meu maior medo é minha maior força. Contarei que ainda não encontrei o abrigo e, por isso, resguardo-me tanto. Com aquela confiança de quem se entrega, deixarei que sintas que quem está oferecendo cuidado pede proteção. Um dia aqui, enquanto estivermos assentados lendo algum livro, contando as descobertas desta vida inexplicável ou distribuindo carinho gratuito, como em um passe de mágica, segurarei sua mão e estará explícito o sinal. Então ainda baixinho contarei o tudo, que sempre traz mais, e o nada, que vai ser a distração. Enquanto acredito que coincidências não existem, acredite que seus passos, mãos, olhos e coração não te levam nem te trazem por acaso. Há em ti, como em mim, esta procura por aquela palavra desconhecida, aquele sentimento completo, aquela busca que traga um sentido definitivo. Não sei o que encontraste aqui que possa ao menos ter refrescado a parada enquanto segues tua caminhada, mas creia que se não encontrou o que procuras encontrou quem também não cessa sua busca; e se não há em mim as respostas, embora haja todas as perguntas, poderemos trocar palavras e afetos, e continuarmos, juntos ou não, com um pouco de mais esperança e beleza. Então, recebo sua visita com um sorriso de qualquer tamanho e um abraço sempre. Pode ficar perto, deita comigo a observar as estrelas, passeia de mãos dadas pelo jardim, escreve um verso sem rima, toma um banho de chuva e não faz promessas. Agora a gente procura junto.




"Tu vens, Tu vens
Eu ja escuto os teus sinais..."

domingo, 30 de janeiro de 2011

De um antigo acordo


Sunday afternoon.




Menino, nunca me foi tão difícil escrever-te. Ainda com o papel em minhas mãos, ainda ressentida por não estar na porta esperando você sair do banho. Menino, depois de tua presença o gozo da alma se misturou com consternação. Já uma saudade sem tamanho de nós dois. E nem posso imaginar que não venhas mais tarde atrapalhar minha concentração com a autoridade de quem se sabe amado. É que acordei pensando em quem, sem saber, sairia hoje para a vida e encontraria você. Quem distraidamente iria conhecê-lo sem ainda compreender a dimensão de tal encontro. As pessoas estão sempre tão distraídas... Lembrei o dia em que cautela era o assunto e os olhos se encontraram rindo em cumplicidade vadia. Encontramo-nos em ausência total de cautela, nos permitimos antes do tempo, fomos mais "amigos" do que deveríamos e não nos devemos nada. Vou confiar que nosso surto de gente grande inclua um futuro de tardes mais livres e mais unidas. Que o nosso ir embora signifique o caminho a nós, outra vez. Temos tanto por amar. Guarda as palavras da madrugada, lembra os desejos. Não foi coincidência, menino. Tu és uma forma de ser eu, e eu uma forma de te ser”. Os mesmos 'livros", os mesmos "autores", as mesmas vidas, os "mesmos "amores.  Agora não vou juntar-me a ti no teu plano maquiavélico mais terno do mundo e, enquanto tu provas que eu sou possível, te faço o mesmo. No final a nossa quadrilha será outra. Tens minha lealdade, na nossa bonita e luxuosa liberdade insana. Há vida, menino. Vamos viver. No mais, tu sejas feliz todos os dias, sim? É uma ordem.



quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

E o tal aniversariante?

E Ele chegou ali, na simplicidade, fruto de fé e de amor. Tinha tudo do que necessitava. E necessita-se de tão pouco. Era preciso um lugar, Ele escolheu o mais simples. Era preciso amor, ele foi gerado pelo Próprio. Era preciso descanso, e Ele descansou nos braços da mais pura e abnegada mãe. Só isso era preciso. Não precisavam de árvores enfeitadas, as estrelas já anunciavam. Não era preciso ceias em abundância, nem troca de presentes. Tudo que era preciso era agradecer a Deus por cumprir sua promessa, por ser fiel. Naquela noite o brilho era um bebê, em sua sempre pureza inquebrável, sua brandura intensa, sua esperança de mudar o mundo. E Ele mudou. Dividiu o tempo em antes e depois dele. Se duvidares de tudo a respeito dele, não pode negar que Ele já esteve aqui. E se é chegado o dia de comemorar o aniversário dEle porque Ele nunca é convidado? Porque não se discute o tamanho da pureza que desejará para si, mas demoramo-nos em saber o tamanho da árvore? Porque não presenteamos a nós mesmos com o perdão, mas participamos de troca de presentes com quem tanto desejamos o mal? Porque cartas para o papai Noel com pedidos e não orações de gratidão pelo que se tem? E se Ele nascesse hoje, onde será que escolheria nascer? Será que nasceria em grandes ceias, com árvores de natal, presente embrulhado, comida em excesso? E se Ele chegasse ali alguém teria tempo para Ele? Não estariam ocupados com a roupa nova e fotos para exibicionismo? Mas a festa não deveria ser dEle? E porque não é? Afinal de contas, e o tal do aniversariante? Meu desejo é que aquela pureza, brandura e amabilidade volte a nascer dentro de nós, como naquele dia, na mais terna simplicidade. Só isso. O resto é resto.

domingo, 24 de outubro de 2010

Deve ser


Se amor existe...
Deve ser preocupar-se e querer bem com carinho sempre, sem egoísmo ou esperas. Deve ser essa amizade abnegada de quem gosta sem reservas. Deve ser esse respeito pela individualidade, essa troca contínua, tranqüila e grande. Deve ser o toque das mãos e o abraço de alma. Deve ser compartilhar e compreender, mesmo quando não se entende. Deve ser essa afeição sincera e pura. Essa vontade de estar junto e deixar livre, concomitantemente. Amor deve ser estar em companhia por prazer sempre. Amor deve ser esse respeito e cuidar constante. Deve ser essa proteção abnegada. Deve ser esse altruísmo, que sabe bem, será correspondido. Amor deve ser esse dom, essa escolha, esse presente. Amor deve ser isso que existe desde sempre, por desígnio. Por destino e vida. Amor deve ser essa certeza que, gratuitamente, será companhia para sempre.
...deve ser isso.













AMOR DA CABEÇA AOS PÉS