Talvez chegastes quando eu te sonhava.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Por teu retorno com cheiro de cumplicidade
Às vezes sinto falta de mim.
-Eu também, menina.
-Sente falta de si?
-Não, de você. E dói.
[Silêncio]
-Me abraça?
-Sempre.
domingo, 30 de janeiro de 2011
De um antigo acordo
Sunday afternoon.
Menino, nunca me foi tão difícil escrever-te. Ainda com o papel em minhas mãos, ainda ressentida por não estar na porta esperando você sair do banho. Menino, depois de tua presença o gozo da alma se misturou com consternação. Já uma saudade sem tamanho de nós dois. E nem posso imaginar que não venhas mais tarde atrapalhar minha concentração com a autoridade de quem se sabe amado. É que acordei pensando em quem, sem saber, sairia hoje para a vida e encontraria você. Quem distraidamente iria conhecê-lo sem ainda compreender a dimensão de tal encontro. As pessoas estão sempre tão distraídas... Lembrei o dia em que cautela era o assunto e os olhos se encontraram rindo em cumplicidade vadia. Encontramo-nos em ausência total de cautela, nos permitimos antes do tempo, fomos mais "amigos" do que deveríamos e não nos devemos nada. Vou confiar que nosso surto de gente grande inclua um futuro de tardes mais livres e mais unidas. Que o nosso ir embora signifique o caminho a nós, outra vez. Temos tanto por amar. Guarda as palavras da madrugada, lembra os desejos. Não foi coincidência, menino. “Tu és uma forma de ser eu, e eu uma forma de te ser”. Os mesmos 'livros", os mesmos "autores", as mesmas vidas, os "mesmos "amores. Agora não vou juntar-me a ti no teu plano maquiavélico mais terno do mundo e, enquanto tu provas que eu sou possível, te faço o mesmo. No final a nossa quadrilha será outra. Tens minha lealdade, na nossa bonita e luxuosa liberdade insana. Há vida, menino. Vamos viver. No mais, tu sejas feliz todos os dias, sim? É uma ordem.
...abriu todas as janelas para o dia azul brilhante.
Respirou fundo, sorriu. (...)
Sorriu ainda mais quando, sem esforço,
lembrou de uma porção de gente.(...)
quem acredita sabe encontrar.
Não garanto que foi feliz para sempre,
mas o sorriso (...)
era lindo quando pensou todas essas coisas...
Jardins de sonho e cirandas
Eu nunca fui bem- comportada.
Podera, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido sem soluços.
Eu quero da vida o que ela tem de cru e de bela. Não estou aqui pra que gostem de mim. Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho.
E pra seduzir somente o que me acrescenta.
Adoro a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra.
A palavra é meu inferno e minha paz.
Sou dramática, intensa, transitória, e tenho uma alegria em mim que me deixa exausta.
Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo.
Sei chorar toda encolhida abraçando as pernas.
Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa.
Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar…
Eu acredito é em suspiros, mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente.
Acredito em coisas sinceramente compartilhadas.
Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma, no toque mesmo, na voz ou no conteúdo.
Eu acredito em profundidades.
Eu tenho medo de altura, mas não êxito meus abismos.
São eles que me dão a dimensão do que sou.
Mais tarde eu saberia que certas experiências se partilham -
até mesmo sem palavras – só com gente da mesma raça.
O que não significa nem cor nem formato de olho
nem tipo de cabelo, mas o indefinível parentesco da alma.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Todo dia começa uma história diferente. Pra todo mundo. Gosto de pensar assim. Um novo ciclo de vida. Um novo dia. Uma outra oportunidade diferente da de ontem, daquela que não deu muito certo. Sorrir ajuda. Sorrir porque sim. Sins são janelas coloridas abertas pro mar. Só de pensar a gente fecha o olho e...sorri.
Quanto tempo a gente espera pra ouvir a palavra certa. Uma palavra só. Mas não um palavrão, só a grande palavra o 'sim'. A vontade de tudo querer que aconteça. O desejo maior que tudo de alcançar qualquer coisa boa. De tudo planejar e concretizar, sim. De tudo adorar e esperar a hora de amar um dia assim.
A gente se arrisca porque gosta de chorar de vez em quando. E se arrisca mais forte ainda porque gosta de sorrir também, digo eu, que não gosto (nem um pouco) do verbo prender. Prender o riso. Prender o choro. Prender o grito. Prender o verbo. Faz a gente deixar de ser, a gente. Prefiro dar. Entregar. Partilhar. Entrelaçar.
Viver mais um dia com o coração fora do peito. Viver todos os dias com a (in)consciência do risco de tudo. De deixar tudo. De perder. Mas de tudo poder ganhar um pouco. Vale a pena viver sem medo. Guiada por uma estrela igual naquela história do reis magos, levada até lá, por um caminho qualquer.
E quando a gente se surpreende com ele, o não, uma música é um bom refúgio.Ou um silêncio por dentro. Uma conversa com Deus. Deixar entrar as palavras boas, os pensamentos bons, acendem uma luz a mais no coração, sabia? Te dá mais um ano de vida feliz.
Viver apaixonada por uma causa, por um sonho. Desapaixonar-se dos medos. Dos nãos que secam a alegria de viver. Alimentar-se de memórias deliciosas e conversas entre você e suas saudades. Dessas que ninguém pode tirá-las de ti. Apaixonar-se por um sorriso. Por alguém. Por uma ideia louca que você pode ser na vida de alguém. Apaixonar-se por você.
Não faz mal se chorar muitas ou algumas vezes. Chorar sempre faz chover, penso assim. E chover, sempre faz nascer. Ta vendo? No fim tudo volta a ser começo. Fica sempre tudo bem, meu bem. Sempre.
Descobrimos com o tempo que as palavras mais comuns são as mais deliciosas de serem ouvidas. Às vezes dificílimas de serem ditas. Descobrimos com o tempo que afinal pouco é muito.
Não sei se sou mais otimista do que as outras pessoas, mas sei que sou. Não sei se quero mais e com mais força o que quero do que as outras pessoas, mas sei que só sei ser assim. Não sei se sou mais ou se sou menos, se sou igual ou se sou diferente.
Sei que sou assim, de bem com a vida. Nem sempre, mas hoje sim.
Da maior importância
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
E onde já se viu tê medo da força da vida, fia?
O que vem não se adia e chegô: ri e celebra,
purque o mundo pode se refazê em ocê.
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