Bahia, minha preta
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Ela teimou e enfrentou
O mundoE como não,
E por que não dizer
Que o mundo respirava mais
Se ela apertava assim?
Seu colo como
Se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio
Se dançar assim
E por que não dizer
Que o mundo respirava mais
Se ela apertava assim?
Seu colo como
Se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio
Se dançar assim
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadasComo a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadasComo a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
domingo, 28 de agosto de 2011
O Céu é dos violentos
porque todo ser humano se apresenta enquanto ser-para o amor
e há sempre a possibilidade da violência redentora.
sábado, 27 de agosto de 2011
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, urna violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de urna borboleta
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, urna violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de urna borboleta
domingo, 21 de agosto de 2011
Precisamos muito de realidade
Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.
Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.
- Outras colunas de Eliane Brum: O amor que sabe do tempo e do vento; A coluna que (quase) ninguém lê;"Minhas raízes são aéreas"; Na pele do outro
É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?
Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.
Marcadores:
00.html,
da ELIANE BRUM,
EMI247981-15230,
Texto publicado http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0
sábado, 13 de agosto de 2011
Silêncio, meus amigos. O dia vai nascer.
(...) vontade de bendizer tantas maravilhas. Esse sentimento de gratidão pelas coisas mais simples que existem. Esse canal que escolho assistir com mais frequência. Esse jeito mais amigo de ouvir meu coração.
O que prevalece agora é essa apreciação mais desperta, que me permite reinaugurar flores e céus e pessoas no meu olhar. Essa graça que encontro, de graça, nos detalhes mais singelos. Essa vontade de contribuir. Esse desejo de brincar de roda.
O que prevalece, agora, é a confortável suposição de que, por trás de tantas e habituais nuvens, esse contentamento faz parte da nossa natureza perene.
Os problemas, os desafios, as limitações, não deixaram de existir. Deixaram apenas de ocupar o espaço todo.
Marcadores:
Ana Jácomo e título da Clarice Lispector
Sozinho, não serei capaz de governar o barco
Para lembrar a indispensabilidade que vocês, MEUS AMIGOS, tem em minha vida!
Das preciosidades que encontrei, aqui, em Aracaju.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Dentro de nós
É muito, é grande
É total...
É total...
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Teu recolhimento é justamente
O significado da palavra temporão
O significado da palavra temporão
Refazendo tudo
Refazenda
Refazenda toda
Refazenda
Refazenda toda
domingo, 7 de agosto de 2011
Uma flor nasceu na rua! Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto
Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe. Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros. É feia.
Mas é realmente uma flor.
A conquista da liberdade
é algo que faz tanta poeira,
que por medo da bagunça,
preferimos, normalmente,
optar pela arrumação.
Alguns escrevem pela arte, pela linguagem, pela literatura. Esses, sim, são os bons. Eu só escrevo para fazer afagos. E porque eu tinha de encontrar um jeito de alongar os braços. E estreitar distâncias. Uns escrevem grandes obras. Eu só escrevo bilhetes para escondê-los, com todo cuidado, embaixo das portas.
sábado, 6 de agosto de 2011
As novas flores já moram nos brotos, mas ainda não desabrocharam. A chuva de renovação está dentro das nuvens, mas elas ainda não verteram. A borboleta já voa na crisálida, mas ela ainda nem se deu conta direito da novidade de ter asas.
Tu eras também uma pequena folha que tremia no meu peito.O vento da vida pôs-te ali.A princípio não te vi: não soube que ias comigo,até que as tuas raízes atravessaram o meu peito,se uniram aos fios do meu sangue,falaram pela minha boca,floresceram comigo.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Acordei cedinho, fiquei comendo maçãs e ouvindo Caetano cantar "Trem das cores" (A franja da encosta, cor de laranja, capim rosa chá) para dar o tom do dia. O tom veio, colorido
Eu sei que os sóis que cultivamos no peito muitas vezes passam do ponto, perdem o horário e descansam um pouco mais atrás dos olhos. Mas as estrelas amigas ainda sabem muito bem de nós e esclarecem com o tempo as nossas dúvidas. É essencial não perder a mão da escolha e a leveza do pouso. É essencial não ofuscar o brilho dos afetos que constroem os nossos anéis. O respiro de quem acorda desacreditando é pesado demais pro coração da gente.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
O homem que volta a banhar-se no mesmo rio,
nem o rio é o mesmo rio
nem o homem é o mesmo homem.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
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