domingo, 16 de dezembro de 2012


Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.
Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.
Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.
Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.
Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:
- ... mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca ...

Desmediocrize sua vida. Procure seus "desaparecidos", resgate seus afetos. Aprenda com quem tiver algo a ensinar, e ensine algo àqueles que estão engessados em suas teses de certo e errado. Troque experiências, troque risadas, troque carícias. Não é preciso chegar num momento limite para se dar conta disso. O enfrentamento das pequenas mortes que nos acontecem em vida já é o empurrão necessário. Morremos um pouco todos os dias, e todos os dias devemos procurar um final bonito antes de partir.
UMA TRANSFORMAÇÃO PESÁVEL

A partir desta data,
Aquela mágoa sem remédio

É considerada nula
E sobre ela, silêncio perpétuo.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

quarta-feira, 30 de maio de 2012


Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco.

quinta-feira, 3 de maio de 2012





Vive menina. Vive. Porque o tempo cura, e traz pra vida da gente um motivo maior pra seguir.
Acredite: O passado não tem volta, e nada dói pra sempre

quinta-feira, 26 de abril de 2012


- É que às vezes ele não comparece.

-- Ele, quem?

-- Quem não, o que.

-- O quê?

- O coração. Às vezes falta. Ou talvez eu sinta faltar apenas porque ele esteja sempre assim abundante e quando ele descansa, falta.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Que eu aprenda a rebater as vontades com verdades



Há um pedaço de pureza que não foi mexido

Que cada dia seja um novo amanhecer
Que cada dia eu tenha cor diferente no céu e no meu rosto
Que cada dia me dê uma escolha melhor na Terra
Um sorriso a mais na minha vida...
mesmo com tanta dor no peito, meu Deus
Coloque Suas mãos na minha testa e envia Tua luz 
Pra que eu possa sempre me levantar, agradecer e sorrir

'Eu sei que Alguém não tão longe me observa feliz'



Arrasta um ponto final até virar linha reta. Desdobra uma palavra pra esticar o momento, a vontade é dos agoras. Faz desabrochar algumas estrelas apagadas no peito só pra ter a sensação de iluminância na ponta do nariz e irrigar esse azul escuro de noite com pontos de brilho de pensamentos que clareiam o caminho. Escava com as próprias mãos um buraco pra jogar sementes de um futuro verde e rosa. Esperança e amor. É o que a move, o que gira e faz girar nos dias. Perdeu uma ponta de estrela da sua varinha-guia no meio da guerra. Pegou um vagalume e sentou o bichinho no lugar pra continuar brilhando. Lembra, 'todo sopro que apaga uma chama reacende oque for pra ficar'. Suspira e acredita. Mais uma vez e sempre. De um pulo, pega o azul do céu com a mão direita, faz um tapete na sua frente e vai. Caminhando no meio do azul e soltando dos bolsos uma nova semente. Amarelas que nem ouro. São de coragem.


   Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado


Quem teve o privilégio de viver muito, sabe que o tempo é um mestre muito caprichoso. Às vezes as suas lições são tão repentinas que quase nos afogam. Outras vezes elas se depositam devagar, como a conta-gotas, diante da avidez de nossas perguntas. E por isso, quem teve o privilégio de viver muito tempo, aprende a olhar com serenidade o turbilhão da vida. Amores ardentes se extinguem, urgências se acalmam, passos ágeis alentam.Enfim, tudo muda. Muda o amor, mudam as pessoas, muda a família, só o tempo permanece do mesmo modo, sempre passando. E é por isso que eu queria esta noite, erguer um brinde à ele, que esculpiu no meu rosto e na minha alma a sua marca, da qual eu tanto me orgulho. Então, ao tempo, ao tempo… 
— É possível um rio secar completamente?
— Claro que é.
— Mas será que ele não enche depois? Nunca mais?
— Alguns sim, outros não.
— Mas nunca mais?
— Sei lá, acho que não.
— Você tem certeza?
— 
Certeza eu não tenho. Só estou dizendo que acho. Afinal não sou nenhuma especialista em matéria de rios, secos ou não.
— Sabe?
— O quê?
— Eu tinha esperança que o rio voltasse a encher um dia 

segunda-feira, 12 de março de 2012



E contrariamente ao que pensam
 os amantes inexperientes, 
fazer carinho com as palavras 
não é ficar repetindo o tempo todo:
 "Eu te amo, eu te amo..."
Barthes advertia: 
Passada a primeira confissão, 
'eu te amo\' não quer dizer mais nada.'
 É na conversa 
que o nosso verdadeiro corpo se mostra, 
não em sua nudez anatômica, 
mas em sua nudez poética.
A vida é agora, aprende!


Sou amor e sonho.

Sou menina.
Sou quando e depois.
Sou agora e amanhã.
Sou tempo. Sou memória.
Eu sou completamente.
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces. Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto. No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida .E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz. Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra... Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado. 

E lá se vai...

E basta contar compasso

E basta contar consigo
Que a chama não tem pavio
De tudo se faz canção
E o coração na curva
De um rio, rio, rio, rio, rio

sábado, 10 de março de 2012


(...)
Sinais de bem, desejos vitais

Pequenos fragmentos de luz

Falar da cor dos temporais

Do céu azul, das flores de abril
Pensar além do bem e do mal
Lembrar de coisas que ninguém viu
O mundo lá sempre a rodar
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer

segunda-feira, 5 de março de 2012

Não tem coração que esqueça
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito
Não tem nem talvez
Ter feito o que você me fez
Desapareça cresça e desapareça

sábado, 3 de março de 2012

Literatura de boteco

NÃO VOU DEIXAR O QUE EU MAIS QUERO NA VIDA, POR AQUILO QUE MAIS QUERO NO MOMENTO
Todo recomeço pede um ponto final.
PONTO

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012




Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A continuidade da crença


O caminho que eu escolhi é o do amor... Não importam as dores, as angustias, nem a decepções  que eu vou ter que encarar. ESCOLHI SER VERDADEIRA. No meu caminho, o abraço é apertado... o aperto de mão é sincero... Por isso não estranhe a minha maneira de sorrir...de te desejar o bem. EU ACREDITO NO BEM! Por isso, não estranhe se eu te abraçar, bem, apertado. Mesmo que seja só em pensamento, se eu me emocionar com tuas histórias, se eu chorar junto com você. Afinal somos gente e gente que faz a opção pelo bem. É assim que enxergo a vida. E só é assim que eu acredito que valha a pena  viver. COM VERDADE, COM EMOÇÃO, COM AMOR.


Mas amar é querer que a alma do outro seja feliz, não importa como, onde e ansim por adiante...


Estou perdendo as minhas
ilusões, talvez,
para adquirir outras novas

A única maneira de liquidar o dragão é cortar-lhe a cabeça,
 aparar-lhe as unhas não serve de nada
Às vezes pode parecer muito, mas arriscar um único passo, talvez o primeiro deles, além do território do medo de avançar pode ser a coragem que convida os outros passos todos. Com medo e tudo.

domingo, 26 de fevereiro de 2012



O tempo se apossou do que havia. (Foi quando pude te explicar que as minhas expectativas não eram exigências). Hoje em dia, depois de tanta história não acontecida, sobrou amizade, saudade, respeitoJá que fomos tão inábeis para o amor, restou enfim, essa ternura encabulada e nossas conversas pela madrugada numa hora em que a saudade nos constrói as frases com todos os adjetivos mais suaves para não espantar o sono. E a consciência de que não há mais tempo para usufruir o que não foi aproveitado a tempo. (Por isso choramos apenas por dentro sem deixar que nossa voz denuncie nosso olhar raso de esperas intactas). Por isso tanta doçura nas palavras pra não ferir ainda mais essa melodia frágil e cheia de melancolia. E essa tentativa de que o abraço, apenas escrito, tenha outras formas de tocar. Porque queríamos a mesma coisa, exatamente o que nos faltava e que não soubemos porque não tínhamos para dar.Seguimos, ainda assim, unidos — não por sentirmos o mesmo amor, mas por compartilharmos aquela mesma solidão.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

...






PASSARAM-SE ANOS, ELA NÃO O ESQUECIA


















































































































...


(…) quero fluir: as coisas passando eu quero é passar com elas.

calor da tarde
toda lembrança
que o Sol toca, arde

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Não gosto de pseudos.
 Nem pseudo-poeta,
 nem pseudo-inteligente,
 nem pseudo-amigo,
 nem pseudo-amor...

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O bilhete precluso



É melhor ir devagar. Ela disse.


Em seu coração o desejo de ser desobedecida: não sejas devagar, seja imediato. Entra sem pedir licença, queima tudo que ainda dói com a simples luz de tua entrada, não faz perguntas, não tenha cautela. Abre teu espaço e ocupa o que quiser. Ocupa-me. Não me dá opções, não me deixe ser prudente. Não me deixe ponderar, nem discursar sobre o que aprendi. Não aprendi ainda, ensina-me. Rápido, não me permita pesar. Há uma urgência de você.

Mas o coração dele não falava. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

eu preciso andar
um caminho só
vou buscar alguém
que eu nem sei quem sou






terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Mas no meu íntimo, segredo, o amor estar guardado e é um só e está guardado com delicadeza.
Do céu

O céu permanece intacto.
Já as nuvens... como passam...

E deste céu coração que Deus me deu,
Tenho eu,
Sido a nuvem.


Quanto tempo demora? - perguntou ele. - Não sei. Um pouco.
Sohrab deu de ombros e voltou a sorrir, desta vez era um sorriso mais largo.
- Não tem importância. Posso esperar. É que nem maçã ácida.
- Maçã ácida?
- Um dia, quando eu era bem pequenininho mesmo, trepei em uma árvore e comi uma daquelas maçãs verdes, ácidas. Minha barriga inchou e ficou dura feito um tambor. Doeu à beça. A mãe disse que, se eu tivesse esperado as maçãs amadurecerem, não teria ficado doente. Agora, quando quero alguma coisa de verdade tento lembrar do que ela disse sobre as maçãs.


Meditei sobre as borboletas. Vi que elas podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as próprias asas.
Delicadeza é semente que faz brotar sorrisos.


Mas que nos importa que as nossas palavras sejam as mesmas de sempre? A música é outra!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Amor é pros desesperados, desavisados, 
católicos, gregos, romanos, românticos e abusados... Igual a gente!
Eu varias vezes me assusto com minhas reações: a ansiedade ao me preparar, mesmo sabendo de sua ausência; a pressa ao percorrer "o caminho" ,e ratifica-la; e, finalmente, na saída, agora não mais cabisbaixo, agora já entendendo tudo como uma história acabada, mas me assusto por, aceitado o fim, supor que estou "construindo" um novo começo.

Quero você, ele disse.
 Eu disse quero você também.
 Mas quero agora já neste instante imediato, ele disse e eu repeti quase ao mesmo tempo também, também eu quero. 
Sorriu mais largo, uns dentes claros.
 Passou a mão pela minha barriga. 
Passei a mão pela barriga dele.
 Apertou, apertamos.