Sunday afternoon.
Menino, nunca me foi tão difícil escrever-te. Ainda com o papel em minhas mãos, ainda ressentida por não estar na porta esperando você sair do banho. Menino, depois de tua presença o gozo da alma se misturou com consternação. Já uma saudade sem tamanho de nós dois. E nem posso imaginar que não venhas mais tarde atrapalhar minha concentração com a autoridade de quem se sabe amado. É que acordei pensando em quem, sem saber, sairia hoje para a vida e encontraria você. Quem distraidamente iria conhecê-lo sem ainda compreender a dimensão de tal encontro. As pessoas estão sempre tão distraídas... Lembrei o dia em que cautela era o assunto e os olhos se encontraram rindo em cumplicidade vadia. Encontramo-nos em ausência total de cautela, nos permitimos antes do tempo, fomos mais "amigos" do que deveríamos e não nos devemos nada. Vou confiar que nosso surto de gente grande inclua um futuro de tardes mais livres e mais unidas. Que o nosso ir embora signifique o caminho a nós, outra vez. Temos tanto por amar. Guarda as palavras da madrugada, lembra os desejos. Não foi coincidência, menino. “Tu és uma forma de ser eu, e eu uma forma de te ser”. Os mesmos 'livros", os mesmos "autores", as mesmas vidas, os "mesmos "amores. Agora não vou juntar-me a ti no teu plano maquiavélico mais terno do mundo e, enquanto tu provas que eu sou possível, te faço o mesmo. No final a nossa quadrilha será outra. Tens minha lealdade, na nossa bonita e luxuosa liberdade insana. Há vida, menino. Vamos viver. No mais, tu sejas feliz todos os dias, sim? É uma ordem.
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"E não se esqueça de trazer força e magia
O sonho, a fantasia
E a alegria de viver"(Toquinho)