quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Malas prontas
Despeço-me sem pesares. Das resoluções, quero mais presenças. E flores na varanda. No mais, paz. Faz alguns dias descobri que solidão é não amar. Dos silêncios tenho pausas longas, intermináveis. Pausa é tempo. Silêncio também compõe música.
Sigo, não sei quando vou voltar, não sei se vou voltar.Aos que borboletam esse jardim, deixo um bilhete: Cada novo dia é um milagre de graça, uma taça de prazer que deve ser bebida até o fim, sem deixar para amanhã. - “Tempus Fugit”! - Portanto, carpe diem - colha o que se inicia como quem colhe uma flor que nunca mais se repetirá.
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Mistura da Euamaria,
Rubem alves
terça-feira, 1 de novembro de 2011
A gente espera um grande amor, uma grande sorte, uma grande beleza, uma grande fortuna e esquece de olhar pras miudezas. Esquece que grandioso, é o pequeno, o singelo, essas coisinhas que vão passando despercebidas. Esquece que a felicidade não está apenas no presente, mas também nos laços e papéis coloridos que o embrulham.
A gente espera grandes eventos e esquece que a felicidade chega sem avisar. Espera uma sinfonia cheia de acordes e sons, e esquece que a felicidade não é esse grito. São sussurros, que só escutam aqueles que sabem ouvir o canto da simplicidade.
Quero viver enquanto estiver acesa, em mim, a capacidade de me comover diante da beleza. Essa capacidade de sentir alegria é a essência da vida.
Sigo a Luz, no mistério me abandono e me deixo envolver, mesmo quando o sofrimento se derrama sobre mim. Na ausência de respostas eu procuro compreender, há razões que só a fé pode entender.
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.
Parabéns ao ILÊ AYÊ e a todos que o fazem brilhar
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O mais belo dos belos...
"Não me pegue
Não me toque
Por favor não me provoque
Eu só quero ver o Ilê passar
Rebentou Ilê Aiyê Curuzu "
"Não me pegue
Não me toque
Por favor não me provoque
Eu só quero ver o Ilê passar
Rebentou Ilê Aiyê Curuzu "
domingo, 30 de outubro de 2011
-Você tem paz, Clarice?
-Nem pai nem mãe.
-Eu disse “paz”.
-Que estranho, pensei que tivesse dito “pais”. (…) Paz? Quem é que tem?
-Nem pai nem mãe.
-Eu disse “paz”.
-Que estranho, pensei que tivesse dito “pais”. (…) Paz? Quem é que tem?
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Clarice Lispector em uma entrevista...
Pensei em você. Eram exatamente três da tarde quando pensei em você. Sei porque sacudi a cabeça como se você fosse uma tontura dentro dela...
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Trechos de uma conversa com o Guru
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Eu estava nos Estados Unidos com a família, como Professor Visitante do Union Theological Seminary, New York. Era novembro. Um telefonema do Brasil nos deu a triste notícia: meu sogro havia morrido num acidente automobilístico. A notícia correu, mas estávamos mergulhados na dor e na solidão, no pequeno apartamento onde vivíamos. Nada podíamos fazer. Aí, por alguma razão, abrimos a porta de entrada. No chão se encontrava um buquê de flores. Devia ter estado lá por bastante tempo. A pessoa que o trouxera não apertara o botão da campainha. Simplesmente deixara o buquê ali, silenciosamente e se fora. O envelope tinha o nome da minha esposa. No cartão havia uma única frase, curtíssima: “ Não quis perturbar a sua dor.” Já faz 32 anos. Mas não me esqueci e não me esquecerei dessa frase. Mas delicada e sensível é impossível.
O caminho é este
tem pedra, tem sol
tem bandido, mocinho
tem você amando
tem você sozinho
é só escolher
ou vai, ou fica.
Fui
tem pedra, tem sol
tem bandido, mocinho
tem você amando
tem você sozinho
é só escolher
ou vai, ou fica.
Fui
Carências… quem não gosta de ser amado? De receber atenção especial? Quem não gosta de beijo na boca e abraços apertados? Quem prefere a solidão a uma boa companhia? Nesse mundo maluco e agitado, as pessoas estão se encontrando hoje, se amando amanhã e entrando em crise depois de amanhã. Uma coisa frenética e louca, que tem feito muita gente que se julgava equilibrada perder os parafusos e fazer muita besteira. Paixão, loucura e obsessão, três dos mais perigosos ingredientes que estão crescendo nos relacionamentos de hoje em dia por causa da velocidade das informações e o medo de ficar sozinho. As pessoas não estão conseguindo conviver sozinhas com seus defeitos, vícios e qualidades e partem desesperadamente para encontrar alguém, a tal da alma gêmea, e se entregam muitas vezes aos primeiros pares de olhos que piscam para o seu lado. Vale tudo nessa guerra, chat, carta, agência, festas. É uma guerra para não ficar sozinho. Medo, medo de se encarar no espelho e perceber as próprias deficiências, medo de encarar a vida e suas lutas. Então a pessoa consegue alguém (ou acha que está nascendo um grande amor), fecha os olhos para a realidade e começa a viver um sonho, trancado em si mesmo, transfere toda a sua carência para o(a) parceiro(a), transfere a responsabilidade de ser feliz para uma pessoa que na verdade ela mal conhece. Então, um belo dia, vem o espanto, vem a realidade, o caso melado, o “falso amor” acaba, e você que apostou todas as suas fichas nesse romance fica sem chão, sem eira nem beira, e o pior: muitas vezes fica sem vontade de viver. Pobre povo desse século da pressa! Precisamos urgentemente voltar o costume “antigo” de “ter tempo”, de dar um tempo para o tempo nos mostrar quem são as pessoas
Tenho o desassossego dentro da bolsa. E um par de asas que nunca deixo. Às vezes, quando é
tarde da noite, eu viajo. E - sem saber - busco respostas
(...)seu domínio invencível, seu amor impávido, e se assustou com a suspeita tardia de que é a vida, mais que a morte, não tem limites.
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Gabriel García Márquez,
O Amor nos Tempos do Cólera
Alguns pensamentos são preces.
Há momentos em que, qualquer que seja a
posição do corpo a alma está de joelhos
Há momentos em que, qualquer que seja a
posição do corpo a alma está de joelhos
Mais uma vez o tempo me assusta.
Passa afobado pelo meu dia,
atropela minha hora,
despreza minha agenda.
Corre prepotente,
para disputar lugar com o vento.
O tempo envelhece, não se emenda.
Deveria haver algum decreto
que obrigasse o tempo a desacelerar
e a respeitar meu projeto.
Só assim, eu daria conta dos livros
que vão se empilhando,
das melodias que estão me aguardando;
Das saudades que venho sentindo,
Das verdades que ando mentindo,
Das promessas que venho esquecendo,
Dos impulsos que sigo contendo,
Dos prazeres que chegam partindo,
Dos receios que partem voltando.
Agora, que redijo a página final,
Percebo o tanto de caminho percorrido
Ao impulso da hora que vai me acelerando.
Apesar do tempo, e sua pressa desleal,
Agradeço a Deus por ter vivido,
amanhecer e continuar teimando...
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Não era Capitu, mas tinha olhos de ressaca
De ter esperança
De um dia ser tudo o que quer
Enquanto escrevo isto, me ocorre que a peculiaridade da maioria das coisas que consideramos frágeis é o modo como elas são, na verdade, fortes. Havia truques que fazíamos com ovos, quando crianças, para demonstrar que eles são, apesar de não nos darmos conta disso, pequenos salões de mármore capazes de suportar grandes pressões, e muitos dizem que o bater de asas de uma borboleta no lugar certo pode criar um furacão do outro lado de um oceano. Corações podem ser partidos, mas o coração é o mais forte dos músculos, capaz de pulsar durante toda a vida, setenta vezes por minuto, e não falhar quase nunca. Até os sonhos, que são as coisas mais intangíveis e delicadas, podem se mostrar incrivelmente difíceis de matar.
Meu coração vagabundo
Quer guardar o mundo
Em mim
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
... a esperança é o sentimento que embala o brinquedo de nossas emoções.(...) Acredita no que não se deve acreditar e às vezes acerta.(...) Sem vícios, não faz acordo com o pessimismo, não recorda o que quebrou. Apenas aguarda o que há por vir.
Reinventa, mesmo depois de estilhaços dolorosos que cortaram em algum tempo, o tempo de sorriso.(...) Sabe que a beleza da vida se compreende quando os pés sangram e os olhos iluminam porque enxergam para além da dor.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
sábado, 24 de setembro de 2011
Com as flores, em uma típica tarde de primavera
Por um tempo pensei que em um belo dia eu acordaria decidida esquecer das noticias e ausências que feriram tanto.Mais depois a gente levanta e vai levando a vida lembrando, querendo esquecer. Vai à padaria ou até o ponto de ônibus querendo sentir o cheiro de encanto. Mas só sente o cheiro de lembrança. É que quando dói demais a gente não acredita que um dia a dor passa, mesmo que todo mundo fale. Mas passa. De verdade. É que a vida tem mesmo dessas voltas e acreditar nas pessoas e nas suas boas intenções ainda vale a pena. Porque simplesmente ainda existem pessoas que acreditam como você.
Dai você olha pra sua vida e aceita a mistura de mulher cheia de pé no chão, brava e meio esquisita com uma menina cheia de sonhos e brigadeiros. Um jeito meio Amelie que pode mudar tudo, até os sonhos
Alguns sorrisos no meio do caminho te confundem ainda com a decisão da mudança. E trazem o que tanto você queria esquecer. Mas lembra também dos sorrisos daqueles que se reegueram por problemas resolvidos maiores que o seu. E sorri de volta, como quem agradece o pensamento mandado por algum anjo bom. E lembra-se do erros, mas não esquece que não errou sozinha. E você não tem que mudar de casa, nem de rua, nem rosto, você tem que mudar seu pensamento. Ser gentil com seus erros, ajuda a corrigi-los. Te corrigir pro melhor que a vida está te preparando.
E a vida sempre estende a mão pra quem ciranda com ela. E então, sua história muda, orgulhos e tristezas são sentimentos feitos pra deixar de lado. Afinal e ainda bem, sentimento também muda!
A gente lê Caio Fernando, Tati Bernardi e Clarice e se reconhece acreditando que são eles que têm a alívio pra dor. Podem até ajudar, menina. Mas nesse poço que você adora pular de vez em quando, só cabe você. Melhor ser esperta e ajudar outras pessoas a gostar de você. Nem Caio, nem Tati e Clarice vão te ajudar. O problema é teu. Resolva. E toma conta do teu coração pra não se esfolar de novo(E daí, não é? Estamos aqui para sentir...)
Dores vão e vem, mas enquanto tiver um sorriso no meio do caminho, um ombro pra encostar, uma piscada pra esquecer, um céu azul, uma janela aberta e um amanhecer de primavera você vai querer se reerguer e ver que quem perdeu não foi você
Aprende menina, alguns sorrisos recebidos na vida não foram feitos pra lembrar. Foram pra guardar. No coração
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