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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A conquista da liberdade
é algo que faz tanta poeira,
que por medo da bagunça,
preferimos, normalmente,
optar pela arrumação.

domingo, 30 de outubro de 2011

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,

depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011



Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.



Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência

.
A ausência é um estar em mim

.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços

,
que rio e danço, e invento exclamações alegres

,
porque a ausência, essa ausência assimilada

,
ninguém a rouba mais de mim. 

domingo, 18 de setembro de 2011



Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.


domingo, 7 de agosto de 2011



Uma flor nasceu na rua! Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto
Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe. Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros. É feia.
Mas é realmente uma flor.
A conquista da liberdade
é algo que faz tanta poeira,
que por medo da bagunça,
preferimos, normalmente,
optar pela arrumação.


segunda-feira, 28 de março de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011


Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Sua cor não se percebe,
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia, mas é realmente uma flor.
Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011


...tempo de pensar madura e docemente
o bom de acontecer
(e mesmo não acontecendo fica desejado)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Um cheiro embaixo do braço(como eu tanto gosto), estranho isso né?







“Gostaria de te desejar tantas coisas. Mas nada seria suficiente. Então, desejo apenas que você
 tenha muitos desejos. Desejos grandes.E que eles possam te mover a cada minuto, ao rumo da sua felicidade!”








FORTE, um forte abraço 109209389084987347893758376765478478748748978974 segundos. ( :


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O HOMEM; AS VIAGENS

O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.

Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte- ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro- diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto - é isto?
idem
idem
idem.

 O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclama justiça junto com injustiça
repete a fossa
repetir o inquieto
repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou  dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viajem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entra-
nhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.(Carlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

de ontem a noite

(...)que força nos prendia,
ele a mim, que presumo
estar livre de tudo,
eu a ele, gasoso,
todavia palpável(...)

(...) Perguntei-lhe em seguida
o segredo de nosso
convívio sem contato(...)

Drummond

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