quarta-feira, 30 de maio de 2012


Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco.

quinta-feira, 3 de maio de 2012





Vive menina. Vive. Porque o tempo cura, e traz pra vida da gente um motivo maior pra seguir.
Acredite: O passado não tem volta, e nada dói pra sempre

quinta-feira, 26 de abril de 2012


- É que às vezes ele não comparece.

-- Ele, quem?

-- Quem não, o que.

-- O quê?

- O coração. Às vezes falta. Ou talvez eu sinta faltar apenas porque ele esteja sempre assim abundante e quando ele descansa, falta.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Que eu aprenda a rebater as vontades com verdades



Há um pedaço de pureza que não foi mexido

Que cada dia seja um novo amanhecer
Que cada dia eu tenha cor diferente no céu e no meu rosto
Que cada dia me dê uma escolha melhor na Terra
Um sorriso a mais na minha vida...
mesmo com tanta dor no peito, meu Deus
Coloque Suas mãos na minha testa e envia Tua luz 
Pra que eu possa sempre me levantar, agradecer e sorrir

'Eu sei que Alguém não tão longe me observa feliz'



Arrasta um ponto final até virar linha reta. Desdobra uma palavra pra esticar o momento, a vontade é dos agoras. Faz desabrochar algumas estrelas apagadas no peito só pra ter a sensação de iluminância na ponta do nariz e irrigar esse azul escuro de noite com pontos de brilho de pensamentos que clareiam o caminho. Escava com as próprias mãos um buraco pra jogar sementes de um futuro verde e rosa. Esperança e amor. É o que a move, o que gira e faz girar nos dias. Perdeu uma ponta de estrela da sua varinha-guia no meio da guerra. Pegou um vagalume e sentou o bichinho no lugar pra continuar brilhando. Lembra, 'todo sopro que apaga uma chama reacende oque for pra ficar'. Suspira e acredita. Mais uma vez e sempre. De um pulo, pega o azul do céu com a mão direita, faz um tapete na sua frente e vai. Caminhando no meio do azul e soltando dos bolsos uma nova semente. Amarelas que nem ouro. São de coragem.


   Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado


Quem teve o privilégio de viver muito, sabe que o tempo é um mestre muito caprichoso. Às vezes as suas lições são tão repentinas que quase nos afogam. Outras vezes elas se depositam devagar, como a conta-gotas, diante da avidez de nossas perguntas. E por isso, quem teve o privilégio de viver muito tempo, aprende a olhar com serenidade o turbilhão da vida. Amores ardentes se extinguem, urgências se acalmam, passos ágeis alentam.Enfim, tudo muda. Muda o amor, mudam as pessoas, muda a família, só o tempo permanece do mesmo modo, sempre passando. E é por isso que eu queria esta noite, erguer um brinde à ele, que esculpiu no meu rosto e na minha alma a sua marca, da qual eu tanto me orgulho. Então, ao tempo, ao tempo… 
— É possível um rio secar completamente?
— Claro que é.
— Mas será que ele não enche depois? Nunca mais?
— Alguns sim, outros não.
— Mas nunca mais?
— Sei lá, acho que não.
— Você tem certeza?
— 
Certeza eu não tenho. Só estou dizendo que acho. Afinal não sou nenhuma especialista em matéria de rios, secos ou não.
— Sabe?
— O quê?
— Eu tinha esperança que o rio voltasse a encher um dia 

segunda-feira, 12 de março de 2012



E contrariamente ao que pensam
 os amantes inexperientes, 
fazer carinho com as palavras 
não é ficar repetindo o tempo todo:
 "Eu te amo, eu te amo..."
Barthes advertia: 
Passada a primeira confissão, 
'eu te amo\' não quer dizer mais nada.'
 É na conversa 
que o nosso verdadeiro corpo se mostra, 
não em sua nudez anatômica, 
mas em sua nudez poética.
A vida é agora, aprende!