domingo, 30 de outubro de 2011


-Você tem paz, Clarice?
-Nem pai nem mãe.
-Eu disse “paz”.
-Que estranho, pensei que tivesse dito “pais”. (…) Paz? Quem é que tem?


Pensei em você. Eram exatamente três da tarde quando pensei em você. Sei porque sacudi a cabeça como se você fosse uma tontura dentro dela...

No Pão de Açúcar
De Cada Dia
Dai-nos Senhor
A Poesia
De Cada Dia
(...)POR SOBRE AS NUVENS, O CÉU ESTÁ SEMPRE AZUL.

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,

depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Eu estava nos Estados Unidos com a família, como Professor Visitante do Union Theological Seminary, New York. Era novembro. Um telefonema do Brasil nos deu a triste notícia: meu sogro havia morrido num acidente automobilístico. A notícia correu, mas estávamos mergulhados na dor e na solidão, no pequeno apartamento onde vivíamos. Nada podíamos fazer. Aí, por alguma razão, abrimos a porta de entrada. No chão se encontrava um buquê de flores. Devia ter estado lá por bastante tempo.  A pessoa que o trouxera não apertara o botão da campainha. Simplesmente deixara o buquê ali, silenciosamente e se fora. O envelope tinha o nome da minha esposa. No cartão havia uma única frase, curtíssima: “ Não quis perturbar a sua dor.” Já faz  32 anos. Mas não me esqueci e não me esquecerei dessa frase. Mas delicada e sensível é impossível.

O caminho é este
tem pedra, tem sol
tem bandido, mocinho
tem você amando
tem você sozinho
é só escolher
ou vai, ou fic
a.
Fui


De elo em elo, ligavam-se cada vez mais. A tal ponto que simplesmente não cabiam mais em si mesmos


Carências… quem não gosta de ser amado? De receber atenção especial? Quem não gosta de beijo na boca e abraços apertados? Quem prefere a solidão a uma boa companhia? Nesse mundo maluco e agitado, as pessoas estão se encontrando hoje, se amando amanhã e entrando em crise depois de amanhã. Uma coisa frenética e louca, que tem feito muita gente que se julgava equilibrada perder os parafusos e fazer muita besteira. Paixão, loucura e obsessão, três dos mais perigosos ingredientes que estão crescendo nos relacionamentos de hoje em dia por causa da velocidade das informações e o medo de ficar sozinho. As pessoas não estão conseguindo conviver sozinhas com seus defeitos, vícios e qualidades e partem desesperadamente para encontrar alguém, a tal da alma gêmea, e se entregam muitas vezes aos primeiros pares de olhos que piscam para o seu lado. Vale tudo nessa guerra, chat, carta, agência, festas. É uma guerra para não ficar sozinho. Medo, medo de se encarar no espelho e perceber as próprias deficiências, medo de encarar a vida e suas lutas. Então a pessoa consegue alguém (ou acha que está nascendo um grande amor), fecha os olhos para a realidade e começa a viver um sonho, trancado em si mesmo, transfere toda a sua carência para o(a) parceiro(a), transfere a responsabilidade de ser feliz para uma pessoa que na verdade ela mal conhece. Então, um belo dia, vem o espanto, vem a realidade, o caso melado, o “falso amor” acaba, e você que apostou todas as suas fichas nesse romance fica sem chão, sem eira nem beira, e o pior: muitas vezes fica sem vontade de viver. Pobre povo desse século da pressa! Precisamos urgentemente voltar o costume “antigo” de “ter tempo”, de dar um tempo para o tempo nos mostrar quem são as pessoas
Tenho o desassossego dentro da bolsa. E um par de asas que nunca deixo. Às vezes, quando é
tarde da noite, eu viajo. E - sem saber - busco respostas