quarta-feira, 27 de julho de 2011

Há mais perigos dentro do que fora de mim, é sempre esse mistério, o dentro de cada um. E suponho que assim sempre será. Sempre inacabada, pra sempre ter essa outra parte que me chama. Me sacode e me faz erguer a vida num chute ou então costurá-la àqueles pedaços rasgados. Dando ponto aqui pra fechá-lo mais adiante. Vou sempre descalça, pisando com leveza, olhando com cuidado.

Permiti o choro para poder fluir, não que soubesse que isso realmente aconteceria. Mas para sentir que alguém me ouviria. As coisas são como estão e não há choro que mude isso. Aliás, desconheço qualquer forma rápida de cura. É preciso consciência das coisas, viver é trabalhoso e muitas vezes me atrapalho toda. É um choro que dura alguns minutos, eu me rendo a ele. É aprendizado, lembrança. Nuvens sempre passam, momentos chuvosos também. É pensamento divino.

Na verdade era só um acordar da alma. Não acredito em botões mágicos nem em choros revitalizantes. Eu acredito em fé, em vontade de mudar, de crescer, de fazer de novo ou de fazer-se novo.
  
 Às vezes levanto de madrugada, com sede,
flocos de sonho pregados na minha roupa...


terça-feira, 26 de julho de 2011

Roda mundo, roda gigante,Roda moinho, roda pião


Quando sentir saudades me lê em algum texto do Caio, da Jácomo, em um poema  do Drummond, de tantos... sei lá, me escuta  em Vinícius, no Oswaldo ou Beatles... em algum detalhe de Neruda em algo que te faz feliz; e como poucos homens entre raros loucos e amados me terás como um verso que nunca para de sorrir.




 E lembra: Quem quiser permanecer na sua vidavai encontrar uma maneira, mesmo que a própria vida insista em separar vocês.

*Autor desconhecido

Sobre (in)utilidades

Você vai crescer, vai ficar adulto, vai aprender que deve ser um homem sério. Mas um dia vai descobrir de novo que as melhores coisas da vida não servem para nada. Que o melhor da vida é contar estrelas, histórias, piadas. Que a inutilidade é mesmo uma delícia.

Retorno das férias desejadas-necessárias

Acontece em mim o tempo da delicadeza, tempo de "fazer valer" a união de tantas pessoas queridas que" labutam" para eu poder estar aqui,  tempo de" aquietar" aquela fome por respostas e atitudes que silenciosamente idealizei, chegou a hora de entregar meu tempo por pessoas que dependem tanto de mim(seja as conhecidas, que hoje me dão segurança, afagos... seja por tantas que ainda nem conheço mas sei que serão beneficiadas com o meu trabalho). Acontece o encontro com a realidade que me rodeia e a qual temei em não enxergar( O meu amado, rs, um dia vai chegar) No momento, EXATO, serei presenteada com alguém que me ame de forma profunda, que partilhe tudo que a vida tratar de nos oferecer... que escute o meu silêncio e me entenda em um intrépido olhar. Quando "for para ser" não haverá distâncias que sirvam de pretextos, nem passados insuperáveis, NADA SERÁ INTRANSPONÍVEL, quando chegar terá vontade de ser além. Vem com vontade de permanecer, de unir vidas, laços e criar um lar.No fundo, sei que o amor estar guardado e  com delicadeza...
Tempo de muita dedicação aos estudos, momentos de finos aprendizados, aonde o silêncio é importante.
Suspeito que não tenho mais nenhum tempo a perder e nenhuma ansiedade para que tudo aconteça rápido.É um momento de observação de como a vida transcorre e de tudo que me ocorre. Descobri que somente assim eu posso entender o meu caminhar...
Foi então que o vento começou a soprar. Compreendo que viver é isto. Uma canoa que a vida nos empresta e só vale o quanto temos disposição para remar. Tenho medo que a minha termine num gemido afogado, por ter batido em uma rocha atormentada por lembranças que ela decidiu petrificar. Mas preferi acreditar que o temporal passaria largo e ao invés de se despedaçar eu a encontraria reluzente sobre as águas. Às vezes eu fico de pé dentro dela, gosto de olhar a travessia. Gosto de forçar o remo e sentir como é bonita a maneira como ela deixa "algo" para trás. Olho para as margens e vejo o sol mergulhar no horizonte. Vejo as flores, os bosques, os prados, os jardins, as florestas e seus bichos correndo para os montes. Quero um mundo com o qual eu possa me emocionar. Quero ter a soberania de uma borboleta almirante e cessar fogo no entrecortar de minhas asas. Quero uma paisagem pela qual valha a pena lutar

terça-feira, 28 de junho de 2011

Quem anda no trilho é trem de Ferro
Sou água que corre entre as pedras:
- liberdade caça jeito.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Uma grande alegria está próxima, Maria.
Os dias me embrulham em sua correria, não me debato mais, aprendi a sentir minha paz. To escrevendo samba, ouvindo Chico, embalada por Vinícius. Conversando com as letras de Tom, descobri o tom que me toca. A vida lá fora segue frenética. Mas aqui dentro "estou " mais bossa nova que carnaval.

Que outras 68 primaveras possam vim

Seja como for, continuo gostando muito de você - da mesma forma -, você está quase sempre perto de mim, quase sempre presente em memórias, lembranças, estórias que conto às vezes, saudade. E se é verdade que o tempo não volta, também deveria ser verdade que  bem-querer sincero não se perde.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Das auroras que partilhamos


A lembrança, talvez ingrata pela saudade, estará sempre presente.


segunda-feira, 6 de junho de 2011


Espontaneidade nunca é fácil. E nunca é pequena. Devo dizer que sempre optei por discrição, e essa escolha levou-me a uma profundidade solitária, distante. Acho que no final das contas, me escondi de mim o quanto pude. Tinha uma aparente liberdade, mas estava presa dentro de mim. Eu não fui livre na minha vida inteira. E talvez ainda nem seja completamente. O fato é que por dentro eu sempre me persegui. Impliquei com minhas escolhas, meus caminhos. Cismei comigo. E resolvi combater. Mostrar que eu era o que eu queria e pronto. Deu errado. Eu fui mais forte do que minha vontade, e embora ainda esteja presa, ensinei pra mim mesma que eu não mando em mim. Assim mesmo, contradizendo tudo. Inclusive a mim! Repentinamente, sabendo o risco, mas não a dimensão, mostrei algumas coisas, partes de mim. Para pessoas, conhecidas ou não, queridas ou não. A escolha é: ou se é espontânea, aceitando que não será possível controlar o que vão achar disso; ou terá que esconder de todos. Não há como escolher quando, como ou com quem dá para ser autêntico. Ou a autenticidade é natural, ou não existe. Isso tem mais a ver com o que eu faço por mim, do que a opinião alheia. É um respeito próprio legítimo. É aceitar quem se é, e não lutar contra isso. Longe de sugerir um contentamento inútil. Não é estagnar, parar de crescer ou achar que não é possível ou necessário mudar. Mudamos a visão e os comportamentos todos os dias, sem que nossa essência seja corrompida. Sempre é possível mudar; mas até para isso é importante se aceitar, pisar seguro, respeitar-se mais do que qualquer outro faria por você. Mostrar o que se é realmente não é fácil. Aceitar, no entanto, é infinitamente mais raro, e difícil. Enquanto eu me preocupar em mostrar a outros, quem eu sou, e o que desejo; estarei perdendo tempo de sê-lo verdadeiramente. No dicionário, natural é sinônimo de espontâneo. Na prática também. Uma solidão não planejada me deixou livre de amarras e pedidos de desculpas. Alguma coisa do tipo: essa sou eu, simples e completamente. Eu NÃO lamento por sua interpretação ou o que vai fazer a respeito. E não sinto muito por não lamentar por isso! Além disso, não vou fazer nada para você acreditar. Eu sou isso, não tangível, definida e, de súbito, livre.

Escrever é fazer recuar a morte, é dilatar o espaço da vida.