terça-feira, 28 de junho de 2011

Quem anda no trilho é trem de Ferro
Sou água que corre entre as pedras:
- liberdade caça jeito.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Uma grande alegria está próxima, Maria.
Os dias me embrulham em sua correria, não me debato mais, aprendi a sentir minha paz. To escrevendo samba, ouvindo Chico, embalada por Vinícius. Conversando com as letras de Tom, descobri o tom que me toca. A vida lá fora segue frenética. Mas aqui dentro "estou " mais bossa nova que carnaval.

Que outras 68 primaveras possam vim

Seja como for, continuo gostando muito de você - da mesma forma -, você está quase sempre perto de mim, quase sempre presente em memórias, lembranças, estórias que conto às vezes, saudade. E se é verdade que o tempo não volta, também deveria ser verdade que  bem-querer sincero não se perde.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Das auroras que partilhamos


A lembrança, talvez ingrata pela saudade, estará sempre presente.


segunda-feira, 6 de junho de 2011


Espontaneidade nunca é fácil. E nunca é pequena. Devo dizer que sempre optei por discrição, e essa escolha levou-me a uma profundidade solitária, distante. Acho que no final das contas, me escondi de mim o quanto pude. Tinha uma aparente liberdade, mas estava presa dentro de mim. Eu não fui livre na minha vida inteira. E talvez ainda nem seja completamente. O fato é que por dentro eu sempre me persegui. Impliquei com minhas escolhas, meus caminhos. Cismei comigo. E resolvi combater. Mostrar que eu era o que eu queria e pronto. Deu errado. Eu fui mais forte do que minha vontade, e embora ainda esteja presa, ensinei pra mim mesma que eu não mando em mim. Assim mesmo, contradizendo tudo. Inclusive a mim! Repentinamente, sabendo o risco, mas não a dimensão, mostrei algumas coisas, partes de mim. Para pessoas, conhecidas ou não, queridas ou não. A escolha é: ou se é espontânea, aceitando que não será possível controlar o que vão achar disso; ou terá que esconder de todos. Não há como escolher quando, como ou com quem dá para ser autêntico. Ou a autenticidade é natural, ou não existe. Isso tem mais a ver com o que eu faço por mim, do que a opinião alheia. É um respeito próprio legítimo. É aceitar quem se é, e não lutar contra isso. Longe de sugerir um contentamento inútil. Não é estagnar, parar de crescer ou achar que não é possível ou necessário mudar. Mudamos a visão e os comportamentos todos os dias, sem que nossa essência seja corrompida. Sempre é possível mudar; mas até para isso é importante se aceitar, pisar seguro, respeitar-se mais do que qualquer outro faria por você. Mostrar o que se é realmente não é fácil. Aceitar, no entanto, é infinitamente mais raro, e difícil. Enquanto eu me preocupar em mostrar a outros, quem eu sou, e o que desejo; estarei perdendo tempo de sê-lo verdadeiramente. No dicionário, natural é sinônimo de espontâneo. Na prática também. Uma solidão não planejada me deixou livre de amarras e pedidos de desculpas. Alguma coisa do tipo: essa sou eu, simples e completamente. Eu NÃO lamento por sua interpretação ou o que vai fazer a respeito. E não sinto muito por não lamentar por isso! Além disso, não vou fazer nada para você acreditar. Eu sou isso, não tangível, definida e, de súbito, livre.

Escrever é fazer recuar a morte, é dilatar o espaço da vida.
Às vezes lhe parecia que era diferente das outras pessoas, que tinha nascido cego, surdo e mudo para as coisas comuns.
E se o que tanto buscas só existe
em tua límpida loucura?

- que importa? -

isso
exatamente isso
é o teu diamante mais puro!


domingo, 5 de junho de 2011


Sou fuga para flauta de pedra doce.

A poesia me desbrava.

Com águas me alinhavo

sábado, 4 de junho de 2011


Um dia, apanhando goiabas com a menina,
Ela abaixou o galho e disse pro ar
- inconsciente de que me ensinava –
‘goiaba é uma fruta abençoada’.
Seu movimento e rosto iluminados
Agitaram no ar poeira e Espírito:
O Reino é dentro de nós, Deus nos habita.
Não há como escapar à fome da alegria.

sexta-feira, 3 de junho de 2011


Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.