segunda-feira, 6 de junho de 2011
Às vezes lhe parecia que era diferente das outras pessoas, que tinha nascido cego, surdo e mudo para as coisas comuns.
E se o que tanto buscas só existe
em tua límpida loucura?
- que importa? -
isso
exatamente isso
é o teu diamante mais puro!
domingo, 5 de junho de 2011
sábado, 4 de junho de 2011
Um dia, apanhando goiabas com a menina,
Ela abaixou o galho e disse pro ar
- inconsciente de que me ensinava –
‘goiaba é uma fruta abençoada’.
Seu movimento e rosto iluminados
Agitaram no ar poeira e Espírito:
O Reino é dentro de nós, Deus nos habita.
Não há como escapar à fome da alegria.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo,no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.
Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.
Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.
Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!
É melhor atirar-se à luta em busca de dias melhores, mesmo correndo o risco de perder tudo, do que permanecer estático, como os pobres de espírito, que não lutam, mas também não vencem, que não conhecem a dor da derrota, nem a glória de ressurgir dos escombros. Esses pobres de espírito, ao final de sua jornada na Terra não agradecem a Deus por terem vivido, mas desculpam-se perante Ele, por terem apenas passado pela vida.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Segue o teu destino, rega as tuas plantas, ama as tuas rosas. O resto é a sombra de árvores alheias...
terça-feira, 31 de maio de 2011
A historiadora Denise Bernuzzi de Sant'Anna anda fazendo entre nós o elogio da lentidão, denunciando a ferocidade da cultura da velocidade. É bom pensar nisso. Pela pressa de viver as pessoas estão esquecendo de viver. Estão todos apressadíssimos indo a lugar nenhum.Curioso. A delicadeza tem a ver com a lentidão. A violência tem a ver com a velocidade. (...)
Sei que vão dizer: "A burocracia, o trânsito, os salários, a polícia, as injustiças, a corrupção e o governo não nos deixam ser delicados."
- E eu não sei?
Mas de novo vos digo: sejamos delicados. E, se necessário for, cruelmente delicados.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Para ler ao som de ' VAMOS CELEBRAR'-Oswaldo Montenegro
| Aracaju-SE 30.05.2011 |
E eu me sinto feliz e grata por tudo, vejo amor, maestria,
chance de aprendizado, em cada ínfima coisa que me acontece.
Ainda que chova, e às vezes chove muito, a memória da ternura
luminosa e imutável do sol faz eu lembrar da natureza preciosa
da vida. O sol não vai a lugar nenhum, ele fica exatamente
onde está, mas a nuvem, a chuva, sempre passam.
Tem dia em que eu acordo lindeza e coloco bobagem pra dormir
porque a nítida prioridade é a harmonia do meu coração, o contentamento natural capaz de me nutrir, proteger e me ajudar a seguir.
domingo, 29 de maio de 2011
Não tarda 22
Era uma menina. Uma menina e muita brincadeira. Uma menina e vários cachorros. Uma menina de brincadeira na rua e pé de mangueira no quintal. De corrida de rolemã e desenho com tijolo na rua. Uma menina de manga verde em cima do telhado. Era uma moça. Uma moça de fantasia. Uma moça de contos e cartilha de família. Era uma moça. Era uma mulher. Uma mulher de coisa simples. Coisa de escolha. Era uma mulher de cartola. Era uma mulher de chapéu. Era uma mulher com muita coisa dentro do chapéu. Era uma mulher com um chapéu de mágico, igual uma cartola. De onde tirava um coelho, um pombo e um bilhete:
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