Dilma Roussef discursa como a primeira mulher eleita presidente no Brasil, está contido na fala a meritocracia, a defesa dos Direitos Fundamentais, a Constituição como principal baluarte de seu futuro governo! E em mim algumas dúvidas eclodem... agora Sarney, Palocci, Collor essas ervas daninhas aparecem, mostram a cara. Isso é motivo de preocupação, e muita! A campanha da Dilma foi pautada em mistério, muita enigmática, quase sempre escusa, com recuos, contradições, mal-entendidos... como disse Monte Alegre em seu artigo para o Jornal da Cidade(" Sim sim; Não, não!), que segue abaixo. Dilma na campanha foi quase um camaleão! Essa eleição representa algo mais, que a eleição de uma mulher, representa em si a eleição passional. O povo brasileiro nutre uma paixão por ele: o maior populista da atualidade, o Lula da Silva. Ele empurrou goela abaixo alguém com uma simpatia de defunto, sem antecedentes de administração pública(nunca foi vereadora, prefeita e coisa nenhuma) e então eu me indago será essa vivência mesmo essencial para uma boa administração a posteriori ?
Sim, sim; não, não!
Publicada: 21/10/2010
Texto: José Sérgio Monte Alegre (Professor de Direito Constitucional/Administrativo)
Em um dos livros sagrados da cristandade, há uma regra de comportamento individual, dentre tantas outras, que impressiona.
Qual é?
Seja o vosso falar sim, sim e não, não.
Seguramente, não tem sido este o falar da candidata Dilma Rousseff à Presidência da República.
Vejamos.
É a favor ou contra o aborto? Teria respondido, em 4 de outubro de 2007*: “Acho que tem de haver a descriminalização do aborto. Acho um absurdo que não haja.” Nessa época, ainda não era candidata. Já no primeiro turno da atual campanha, candidatíssima pela escolha unilateral e solitária do Presidente Lula, teria mudado de opinião: “Eu pessoalmente, sou contra. Não acredito que haja uma mulher que não considere o aborto uma violência.” Agora, no segundo turno, responde com certo ar de mistério que é a favor da vida. Não diz de quem..., mas pode-se inferir que é a da mulher e a criança que se dane! E, segundo ela, o aborto há de ser tratado como uma questão de saúde pública. Digo eu, surpreso: e não como uma questão ética? Permitirá – se eleita - ou não que a rede pública de hospitais ou recursos públicos sejam utilizados para a prática do aborto, livremente?
Apoia ou não as invasões sob a batuta do Movimento dos Sem Terra? Primeiro, em entrevista à Rádio Jornal, do Recife, teria respondido que sim, mas que movimento social é movimento social e governo é governo, e, por isso, não seria adequado usar boné do MST, isso em 20 de abril de 2010. No entanto, aqui em Sergipe, colocou o boné na própria cabeça, sem aparente constrangimento, superficial e breve que fosse, isso em 24 de junho de 2010.*
Sobre Erenice Guerra, a Ministra defenestrada da Casa Civil em decorrência de uma sucessão de episódios que nada contribuem para uma melhoria da qualidade ética das relações entre o espaço público e o privado, teria dito que tinha a sua confiança, para, depois, colocar-se na confortável posição de não poder ser julgada por atos de uma ex-assessora... que era da sua inteira confiança e cujos atos ou omissões, por dever funcional, na qualidade de superiora hierárquica, tinha de controlar.
Sobre outra gravíssima questão – a da censura à imprensa -, ensaiada várias vezes pelo seu exemplo – o Presidente Lula – teria declarado em seu programa à Justiça Eleitoral que era admissível a existência de conselhos e observatórios comandados pelo Governo; isso em 5 de julho de 2010. Dias após, teria dito que “Sou rigorosamente contrária ao controle do conteúdo. O único controle que existe é o controle remoto; em 21 de julho de 2010.*
Sobre a contribuição financeira de países em desenvolvimento para a criação de um fundo de preservação ambiental, teria sido radicalmente contra, considerando-a um escândalo, isso durante a Conferência das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas, em 13 de setembro de 2009. No dia seguinte, teria se declarado favorável à contribuição.
Sobre a política do Banco Central, teria afirmado que era rudimentar e de enxugar gelo; isso em 9 de novembro de 2005. Logo adiante, teria elogiado a autonomia do mesmo Banco no Governo Lula, com o qual o Banco – sempre tivera uma relação cordial.*
Sobre as FARC, na Colômbia, sempre debaixo da acusação de envolvimento com o narcotráfico, nada lhe foi perguntado e também nada disse.
Sobre Hugo Chávez, na Venezuela, e suas relações ásperas, senão agressivas com a oposição e a imprensa, e com o qual o Presidente Lula mantém relações não só oficiais, mas de amizade, silêncio de cemitério.
Sobre como vai modernizar a educação, nem um pio. A respeito, um recatado (?) pudor.
Sobre segurança pública, setor notoriamente fragilizado em todo o País, esparadrapo vermelho à boca.
Sobre o SUS, deve achar que está beirando à perfeição e, pois, muito pouco será preciso fazer.
Sobre agronegócio ou agricultura familiar, nem uma palavra no programa eleitoral gratuito. Talvez tenha dito, mas em ambientes reservados, quiçá a depender da plateia.
Sobre política energética, ela que se gaba de ter sido Ministra de Minas e Energia, um sorriso enigmático como o da Mona Lisa.
E, até agora, nada mudou. No seu discurso, tudo é mistério, enigma, evasiva, mal-entendido, escusas, negaceios, recuos, dissimulação, hesitações, contradições, arrependimentos, algo assim como camaleão. Tudo quanto lhe era indispensável para sobreviver aos anos de chumbo, durante os quais foi presa e brutalizada com o despudor das ditaduras. Virou hábito?
Nela, a única certeza é a incerteza. A única constância é a inconstância. Ressalva feita apenas e somente para o servilismo – já não é de lealdade que se cuida – ao seu mentor Lula da Silva, esquecida, tristemente, de que a cópia nunca é igual ao original.
No recente debate na RedeTV, no domingo passado, tudo isso ficou evidente, a ponto de um famoso articulista da Folha de São Paulo haver tratado das dificuldades com que a Dilma lida com a ex-Dilma...
Estranho mesmo, mais que tudo, é Dilma Rousseff, que se diz de sólida formação religiosa,
nunca ter sabido que o “vosso falar seja sim, sim e não, não”!!!
(*) Extraído da Revista VEJA, edição de 13 de outubro de 2010.
Essas dúvidas surgem, devem surgir... mais isso não anula a minha esperança: alguns avanços devemos esperar!
É cuidando do outro que cuidamos de nós...
Há ressalvas a serem feitas, essas tantas indagações que chegam em relação a pessoa da Dilma não é uma aceitação do possível governo do José Serra e nem mesmo uma crença inalterável que ele faria o melhor para o nosso país! Só percebo que as coisas aqui não vão bem, os hospitais estão sendo mal gerenciados, a educação está quebrada, professores com precárias formações... o professor no Brasil sempre foi tratado com indiferença estamos nos assemelhando com o Brasil Colônia, no qual o professor recebia menos que o feitor de escravos. Como ter uma educação de qualidade com salários incompatíveis? Como teremos uma polícia não corrupta, se a renda dos policias não permitem que os mesmos habitem lugar diverso dos bandidos? Como acreditar em leis que reflitam os reais anseios da sociedade brasileira se o povo elege comediantes analfabetos para legislar? Como esperar um país mais fraterno se nem olhamos para o vizinho que sobe conosco no elevador? Não coloquemos a responsabilidade de atos que pertence a cada um de nós, brasileiros.
Agora a indiferença, essa sem dúvida é a pior das doenças....
Vale dizer que o rumo do país não é uma questão de sorte ou de azar e sim de preparo. É COLHEITA!
Que seja da maneira mais prudente possível...
Que seja!
"DE AMOR E DE ESPERANÇA..."
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