domingo, 17 de outubro de 2010



 [...]O amor não precisa de nada para ser, Ele é. Independe de. É discreto. Pousa e voa quando bem quer. O amor é passarinho, isso. Mas a gente nunca pode prender, viu? Passarinho bonito é enfeitando o céu. Amor enfeita. O amor é criança. O amor é uma tarde de sol e um algodão doce, no parque. É roda gigante. Foliazinha. É tanto. É tanto!

Eu já amei bonito, sim. Morri de amores, e você não sabe quanto mais vida isso me trouxe. E tem um moço, agora. Senta aqui no meu colo, anda. O amor está dentro de mim. E de você. E dele. Eu acho mesmo é que ele vai saindo aos pouquinhos. Quando a gente vê, já caminhou pra dentro da outra pessoa. É um susto. O amor é um susto! E uma surpresinha, e o embrulho é no coração.

Falar mais sobre o moço? Ah, esse moço, ele faz festa em mim. Quando eu chego, ele está sempre paradinho, na porta. Me enxerga feliz, com uns olhinhos apertados, parecendo pedir para navegar-lhe. E eu fico pensando. Fico pensando que me bastava ele ser um cais, para ancorar meu barquinho. Em época de chuva, amor é cais, também.

Você gosta de me ouvir falar? Deixa eu escrever, aqui: AMOR. Agora espia e tenta apagar. Está vendo? Amor é quando, mesmo tentando, a gente não consegue apagar as letras. Não tem borracha que sirva, sabia? Não precisa ter medo. Você pode emendar poesia em cima, melodiar. Uma coisa linda que aprendi foi isso: ser formada por amores. A gente fica maior.

Não se assuste, então, quando um amor for embora. A verdade é que ele sempre fica. Quanto mais a gente entrega, mas a gente tem. Essas coisas, meu bem, a gente divide pra multiplicar. Prometo a você. E sobre aquilo de diferenciar, não dê importância. Sinta. Chame do que quiser. Um moço sabido já disse, um dia: ‘muita coisa importante falta nome’.

Me dá um abraço, dá? Uma vez pensei que fosse derreter num abraço. Você vai saber como é. Não, não foi o desse moço. Ele ainda hoje não coube em minhas mãos. Tenho vontade de desabotoá-lo. Cheirar os sonhos que ele tem, nos olhos. Às vezes fico pensando que eu podia dizer a ele coisas muito boas, assim, baixinho. Mas só sei me fingir de distraída. Eu sou boba, o amor é bobo.

Está na hora de ir. Se eu pudesse eu aumentava mais essa noite só para que tuas asinhas alçassem vôo. Sonha. Descansa. Você é um bichinho que voa, sem nem desconfiar. E é lindo assim, não terminado.



Agora, olha. Acho mesmo que é amor, amor é acostumar.













Todas as pessoas grandes foram um dia crianças (mas poucas se lembram disso).
(...)
As pessoas grandes adoram os números. Quando a gente lhes fala de um novo amigo, elas jamais se informam do essencial. Não perguntam nunca: "Qual é o som da sua voz? Quais os brinquedos que prefere? Será que ele coleciona borboletas? "Mas perguntam: "Qual é sua idade? Quantos irmãos tem ele? Quanto pesa?
Quanto ganha seu pai?" Somente então é que elas julgam conhecê-lo. Se dizemos às pessoas grandes: "Vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, gerânios na janela, pombas no telhado. . . " elas não conseguem, de modo nenhum, fazer uma idéia da casa. É preciso dizer-lhes: "Vi uma casa de seiscentos contos". Então elas exclamam: "Que beleza!"
Assim, se a gente lhes disser: "A prova de que o principezinho existia é que ele era encantador, que ele ria, e que ele queria um carneiro. Quando alguém quer um carneiro, é porque existe" elas darão de ombros e nos chamarão de criança! Mas se dissermos: "O planeta de onde ele vinha é o asteróide B 612" ficarão inteiramente convencidas, e não amolarão com perguntas. Elas são assim mesmo. É preciso não lhes querer mal por isso. As crianças devem ser muito indulgentes com as pessoas grandes. Mas nós, nós que compreendemos a vida, nós não ligamos aos números! Gostaria de ter começado esta história à moda dos contos de fada. Teria gostado de dizer: "Era uma vez um pequeno príncipe que habitava um planeta pouco maior que ele, e que tinha necessidade de um amigo..." Para aqueles que compreendem a vida, isto pareceria sem dúvida, muito mais verdadeiro. Julgava-me talvez semelhante a ele. Mas, infelizmente, não sei ver carneiro através de caixa. Sou um pouco como as pessoas grandes. Acho que envelheci.

[ Antonie de Saint-Exupéry - O Pequeno Príncipe ] 



"Serei cortante como a lâmina da língua. Eu vivo a míngua do meu próprio ser. E vá crescer, pois sempre serei criança." [Los Porongas]


"...se existo é com delicado cuidado."

(Clarice Lispector - Água Viva)





sábado, 16 de outubro de 2010

Me desfaço e me construo no tempo, e à medida que os anos passam meus olhos mudam e meu mundo se transforma. As paredes que me cercam hoje não são as mesmas de ontem. Amanhã, certamente, sua cor me parecerá diferente...
E então, recostada na cama, olho para a janela e vejo uma metamorfose acontecer: a nuvem ganha asas e se transforma em pássaro.














-
Caminhos cruzados e semelhanças de sentimentos, de percepção.




Texto retirado do Blog de Fernanda Cedraz: http://palavrasolltas.blogspot.com/

Se Puder Sem Medo


Onde há ato, não se prescisa de palavra.



























Deixa tudo que eu não disse mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava

Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia

Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava




sexta-feira, 15 de outubro de 2010












" Quero sua risada mais gostosa 
Esse seu jeito de achar que a vida pode ser maravilhosa..

Quero sua alegria escandalosa
Vitoriosa por não ter vergonha de aprender como se goza...

Quero toda sua pouca castidade
Quero toda sua louca liberdade
Quero toda essa vontade de passar dos seus limites e ir além, e ir além.."
Ivan Lins




"Na infância...
Bastava sol lá fora e o resto se resolvia."


Fabrício Carpinejar

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

¨











"Para o desejo do meu coração, o mar é uma gota."
(Adélia Prado)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Seu Eduardo e Boneca

Foto: Renatha Tunes
























Agora Fabiano era vaqueiro, 
e ninguém o tiraria dali. 
Aparecera como um bicho, 
entocara-se como um bicho, 
mas criara raízes, 
estava plantado. 
Olhou os quipás, 
os mandacarus
os xique-xiques. 
Era mais forte que tudo isso,
 era como as caatingueiras
 e as baraúnas.
 Ele,
 sinha Vitória,
 os dois filhos
 e a cachorra Baleia 
estavam agarrados
 à terra.
( Vidas Secas- Graciliano Ramos)






" O sertanejo é, antes de tudo, um forte."( Euclides da Cunha)






"Violência demais,
fome demais,
falta demais,
promessa demais,
seca demais,
chuva não tem mais!"



segunda-feira, 11 de outubro de 2010

00:37 'um abraço de todo e FORTE'

A cena repete a cena se inverte

Enchendo a minh'alma d'aquilo que outrora eu deixei de acreditar


Tua palavra, tua história

Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar






Metade de mim

Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só

enquanto eu respirar

Vou me lembrar de você

Só enquanto eu respirar








domingo, 10 de outubro de 2010



"... e ele falou que amava muito você,que ocê era mágica e meio genial. "



(Caio Fernando Abreu)